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Dominância

Ao contrário do que as tradicionais ideologias de formação e alguns programas de tv a cabo, nos querem fazer crer, a maioria dos problemas de comportamento canino decorrem da insegurança e ou do desejo de buscar e manter a segurança e conforto.  Não de um desejo de estabelecer maior pontuação e ser o alpha.

Portanto, adestradores que insistem no método, “Quem é o chefe”, forçando-os em algum estado mítico chamado “submissão calma”, fazem precisamente o oposto do que os cães realmente precisam, para aprender de forma eficaz e superar problemas comportamentais.

Grande parte deste equívoco decorre da aplicação errada dos estudos iniciais de matilhas de lobos em cativeiro, para a nossa compreensão da dinâmica dos nossos cães domésticos. Há dois problemas com esses estudos de lobos quando aplicados em cães:

1. Os cães e os lobos são de fato muito, muito diferentes.

2. Os resultados desses estudos já foram refutados, até mesmo, pelos próprios cientistas que os realizaram.

Apesar disso, termos como “cão alfa”, “cão superior” e “líder da matilha” tornaram-se parte do inconsciente coletivo, e são facilmente aceitos na nossa sociedade.

Curiosamente, quando utilizado para descrever os conceitos humanos de liderança e classificação hierárquica, esses termos podem ser realmente úteis e geralmente não representam qualquer problema. Confundem, portanto, o absurdo conceito humano do domínio com base na acumulação de poder, estabelecimento de categorias superiores e o exercício do controle pela força e violência com o conceito de dominância entre os cães domesticados, assumindo incorretamente que os cães colocam o mesmo valor que nos sobre a prática de quem é melhor ou mais importante em qualquer situação.

As relações de dominância entre os animais, diferente do que se acreditava, são normalmente exercidas sem o uso da força ou ameaça de agressão, reduzindo assim o potencial de conflito. A última coisa que se deseja em uma matilha animal é a briga, que em realidade a enfraquece e a deixa mais vulnerável. O líder costuma ser sempre o mais amigo, maduro e apaziguador e não o mais forte.

Deixar de, ligar nossas inseguranças humanas, a como acreditamos que nossos cães pensam e sentem é um pré-requisito para sermos capazes de entender e construir relacionamentos verdadeiramente equilibrados e saudáveis com nossos cães.